Nutrição esportiva

O que comer na véspera e no dia da prova de corrida?

Guia simples sobre o que comer na véspera, no café da manhã e depois da prova de corrida, de 5 km à maratona, para ter energia e evitar surpresas.

Por Lillian Braga, nutricionista CRN-4 18100782

Na véspera e no dia da prova, a regra de ouro é simples: coma o que você já conhece, priorize carboidratos de fácil digestão e não invente nada novo. O prato ideal muda um pouco conforme a distância. Para 5 ou 10 km, sua alimentação normal e bem feita costuma dar conta. Para meia maratona e maratona, o planejamento faz mais diferença.

Parece óbvio, mas muita gente treina meses e tropeça justamente no café da manhã do grande dia. Bora organizar isso?

Por que a alimentação perto da prova importa tanto?

Na corrida, o músculo usa muito carboidrato como combustível. Ele fica guardado no corpo na forma de glicogênio, no músculo e no fígado. Esse estoque não é infinito.

Em provas curtas, ele costuma ser suficiente. Em provas longas, ele pode ir acabando no caminho. É aí que aparece aquela sensação de que as pernas "desligaram".

Além da energia, tem outro ponto: o intestino. Correr chacoalha o sistema digestivo. Comer algo pesado, gorduroso ou muito fibroso logo antes pode trazer desconforto, gases e aquela busca desesperada por um banheiro químico no km 7. Ninguém merece.

Como deve ser a alimentação na véspera?

A véspera não é dia de "comer por três". Também não é dia de fazer dieta. É dia de comer bem, com calma e sem experimentos.

Algumas orientações gerais que costumo passar:

Um exemplo de jantar tranquilo: arroz branco, frango grelhado, legumes cozidos e uma fruta de sobremesa. Simples e funcional.

E o tal do "carb loading"? Preciso fazer?

A sobrecarga de carboidratos é uma estratégia para aumentar os estoques de glicogênio nos dias anteriores à prova. Ela faz mais sentido para provas longas, como maratona, e em alguns casos meia maratona.

Para 5 km e 10 km, geralmente não é necessária. Sua alimentação equilibrada do dia a dia já cuida disso.

Quando ela é indicada, não significa comer pizza e doce à vontade. É um aumento planejado de carboidrato, ajustado ao seu peso, ao seu volume de treino e à sua rotina. Por isso, a quantidade certa é definida na consulta, de forma individual.

O que comer no café da manhã da prova?

Aqui mora o maior risco de erro. Algumas dicas práticas:

Veja algumas combinações que costumam funcionar bem:

Tempo antes da largada Opções de exemplo
2 a 3 horas Pão com ovo mexido e banana; tapioca com queijo branco e mel; cuscuz com ovo
1 hora Banana; torrada com geleia; um pedaço pequeno de pão com mel
15 a 30 minutos Alguns goles de água; para alguns corredores, uma fruta pequena

Lembre: são exemplos gerais. O melhor café da manhã é aquele que você já testou nos treinos e seu corpo aceitou bem.

Preciso comer durante a prova?

Depende da distância e do seu tempo de prova.

A recomendação mais importante aqui é: treine o intestino. Teste o gel, a fruta ou o isotônico nos longões. Se você nunca usou e resolve tomar no km 15 da prova, a chance de dar ruim é real.

A frequência e a quantidade ideal variam de pessoa para pessoa. É algo que a gente ajusta junto, de acordo com seu ritmo e sua tolerância.

Os erros mais comuns que vejo antes de prova

Para você não cair nessas armadilhas:

  1. Testar comida nova porque viu alguém na internet tomando.
  2. Ir em jejum "para correr mais leve" e ficar sem energia no meio.
  3. Exagerar na véspera e acordar estufada.
  4. Beber água demais de uma vez antes da largada.
  5. Esquecer de comer depois, achando que a prova acabou e o trabalho também.

E depois da prova, o que comer?

A linha de chegada merece festa, e o corpo merece recuperação. Depois da prova, o ideal é combinar:

Uma refeição completa nas horas seguintes, como arroz, feijão, uma proteína, legumes e salada, cumpre bem esse papel. Se a fome demorar a aparecer, comece com algo leve: iogurte com fruta, um sanduíche, água de coco ou um vitamina.

E sim, o pastel da comemoração com os amigos também pode entrar. Comida tem lugar no prato e na vida social.

Quem tem alguma condição de saúde precisa de cuidado extra?

Sim. Se você tem diabetes, problemas gastrointestinais, faz uso de medicamentos ou tem qualquer condição de saúde, a estratégia precisa ser pensada junto com seu médico e sua nutricionista. A alimentação complementa o acompanhamento médico e nenhum tratamento deve ser alterado ou suspenso por conta própria.

Planejar com antecedência faz toda a diferença

A estratégia de prova começa semanas antes, nos treinos longos. É ali que você descobre o que funciona para o seu corpo. Cada corredor tem uma rotina, uma tolerância intestinal e uma meta diferente.

Se você vai correr sua primeira prova ou quer chegar mais inteira na próxima, posso te ajudar a montar um plano alimentar individual. Atendo no consultório em Campo Grande, Rio de Janeiro, e também online, por videochamada, para todo o Brasil. Vai ser um prazer correr esse caminho com você.

Perguntas frequentes

Posso correr uma prova de 5 km em jejum?

Algumas pessoas se sentem bem correndo distâncias curtas sem comer, mas isso precisa ser algo já testado nos treinos. Para a maioria, um lanche leve com carboidrato, como uma banana ou uma torrada, ajuda a ter mais disposição. O dia da prova não é o momento de experimentar correr em jejum pela primeira vez.

Comer macarrão na noite anterior à prova é obrigatório?

Não é obrigatório. O macarrão é só uma opção prática de carboidrato, mas arroz, batata, mandioca ou pão cumprem a mesma função. O importante é escolher algo que você já come normalmente e que não pese no estômago.

Gel de carboidrato é necessário em toda prova?

Não. Em provas curtas, como 5 km e 10 km, geralmente água é suficiente. O gel ou outra fonte de carboidrato costuma ser mais útil em provas longas, como meia maratona e maratona, e deve ser testado antes nos treinos para ver se o seu intestino tolera bem.

O que fazer se eu sentir desconforto intestinal em dia de prova?

Vale rever o que foi comido na véspera e no café da manhã, especialmente fibras, gorduras e alimentos novos. Comer com mais antecedência antes da largada também pode ajudar. Se o desconforto for frequente, procure seu médico e uma nutricionista para investigar a causa e ajustar a estratégia.

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